Alejandro
G. Iñárritu

Rolex e o cinema

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Alejandro G. Iñárritu é conhecido por sua maneira de explorar a condição humana que, associada ao seu estilo visual, fez dele um nome a ser respeitado.

Um explorador
da condição
humana

Os dois Oscars® de Melhor Diretor conquistados por Alejandro G. Iñárritu proporcionaram ao cineasta mexicano um lugar privilegiado na história do cinema, ao lado das lendas de Hollywood, John Ford e Joseph L. Mankiewicz.
Seu longa-metragem de estreia, o drama do ano 2000, Amores Brutos, bem como seu segundo filme, Biutiful (2010), também dirigido em espanhol, sua língua materna, foram indicados ao Oscar® de melhor filme estrangeiro. Filmado em quatro países de três continentes e em quatro idiomas, Babel, de 2016, recebeu sete indicações ao Oscar®.

Em 2014, ele dirigiu a sua primeira comédia, Birdman, que recebeu nove nomeações ao Oscar®, ganhando quatro prêmios, incluindo três para Iñárritu. Em 2016, ele ganhou outro Oscar pelo filme O Regresso, tornando-se o terceiro diretor da história a ganhar a ganhar dois Oscars® de melhor direção durante dois anos seguidos. O filme foi nomeado a 12 Oscars®.
Seu mais recente trabalho, CARNE y ARENA (Virtually present, Physically invisible) é uma instalação de realidade virtual conceitual que faz o visitante vivenciar a realidade de refugiados. Ele ganhou um Oscar® especial na cerimônia do Governors Awards de 2017.
Os filmes de Iñárritu apresentam histórias interconectadas e uma narrativa não-linear, um universo onde o tempo desempenha um papel primordial.

Entrevista

Para você, qual é o significado da noção de eterna excelência?

A única coisa que pode durar para sempre nessa expressão pessoal e humana que é a arte, é a maneira como a obra se transforma.

Haverá sempre uma evolução na maneira como o filme é apreendido, dependendo do momento em que for visto e da pessoa que o assiste. Portanto, o filme enquanto obra de arte é algo vivo, em constante mutação. É transformado por cada pessoa que o assiste e pela maneira diferente como influencia cada um. A única coisa eterna é a natureza em constante mutação da obra por meio das pessoas que vivem essa experiência.

Você tem uma filosofia que inspire ou influencie sua maneira de trabalhar?

Sou autodidata e sempre obedeci e segui minha intuição. Intuição é simplesmente conhecimento sem informações nem dados. É conhecimento puro. É a sabedoria que todos temos em nós.

Como você se lança desafios? Como continua original e, ao mesmo tempo, supera seus limites?

Mais do que desafios, acredito que seja uma questão de ser fiel a si mesmo. Acho que esse é o limite mais importante a superar. Ser sincero consigo mesmo e fiel ao seu ponto de vista são a base da originalidade natural.

Todo mundo pode compartilhar com os outros o modo de ver e de interpretar uma maneira única de viver no planeta, num tempo e num espaço irreproduzíveis. Cada um de nós tem essa originalidade. Portanto, o trabalho consiste em articular essa experiência. Encontrar o modo para compartilhar essa visão.

Há filmes que poderiam ser feitos por qualquer um, mas há um que só pode ser feito por você.

O que você gostaria que os jovens cineastas incorporassem do seu trabalho e como você investe na nova geração de profissionais promissores?

Tenho a impressão de que há algo muito importante e bonito acontecendo com os jovens cineastas. É diferente da minha época, quando parecia que seu destino estava selado em função do lugar onde se nasceu. A língua era uma barreira enorme, além disso, não tínhamos plataformas de acesso a uma grande quantidade e variedade de filmes do mundo todo. Nosso conhecimento era muito mais limitado.

Hoje em dia, graças a essas plataformas e ao acesso ao cinema mundial, os jovens não conhecem limites. Além disso, não têm preconceitos quanto à maneira de se expressar. Usam seu idioma, seus costumes e tudo que faz sua singularidade. Hoje eles têm essa força, sem esquecer a visão e o conhecimento disponíveis sobre a cinematografia mundial, e isso lhes dá asas. Acredito que nos dias atuais, não apenas em razão da tecnologia disponível para fazer filmes, mas também da possibilidade de compartilhar esses filmes por meio de vários canais em inúmeras plataformas, trata-se de uma vantagem imensa, e os jovens vêm tirando o máximo proveito disso.

Transcenda a razão e siga sua intuição.

Qual é sua responsabilidade enquanto cineasta?

É fazer o melhor filme que eu puder, sempre que eu tiver a chance. Creio que a única responsabilidade, o único dever de um cineasta é confrontar a si mesmo. Quero dizer, ser fiel e honesto consigo mesmo. Acredito que é fundamental aceitar, identificar e assumir suas limitações. As virtudes também, mas principalmente as limitações. . A partir daí, é possível criar algo com o que você tem ao seu alcance, não com o que se gostaria de ter, mas com o que realmente possui.

O Programa Rolex
de Mestres
e Discípulos

Iñárritu foi mestre de cinema da edição 2014-2015 do Programa Rolex de Mestres e Discípulos e convidou o jovem diretor israelense Tom Shoval, que participou de O Regresso, na qual demonstrou “infinitas possibilidades” de produção de filmes.

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