Laureado Associado dos Prêmios Rolex 2019

Yves Moussallam

O vulcanólogo francês Yves Moussallam deseja desvendar um mistério mal explorado pela ciência: de que forma os gases e aerossóis emitidos pelos 150 vulcões mais ativos do planeta afetam as mudanças climáticas? 

"Desde os tempos mais remotos, os vulcões têm moldado a superfície e a atmosfera da Terra. A coleta de dados, em tempo real, sobre a atividade de vulcões situados nas regiões mais longínquas do planeta é fundamental para compreendermos exatamente de que forma eles aceleram ou dissimulam as mudanças climáticas", diz Yves Moussallam. "Os dados obtidos por satélite indicam que um terço de todos os gases vulcânicos do planeta se formam na região conhecida como Melanésia, mas até agora a maioria das amostras têm sido coletadas em vulcões mais acessíveis, situados em países desenvolvidos". 

Yves Moussallam deseja suprir essa enorme lacuna científica e, para tanto, pretende montar uma expedição com o objetivo de estudar 17 dos 76 vulcões terrestres e submarinos mais ativos do planeta. A região que ele pretende explorar forma um arco com 5.000 mil quilômetros de extensão e concentra a maior atividade vulcânica do mundo, sendo conhecida como Círculo de Fogo do Pacífico.  

Estou medindo gases vulcânicos para compreender o efeito que eles têm sobre a nossa atmosfera.

Yves Moussallam

A proposta da expedição é integrar, de maneira extremamente prática, conhecimento científico e tradições culturais do Pacífico. Yves Moussallam e sua equipe planejam velejar em uma vaka, embarcação tradicionalmente usada na Polinésia. Além de ecológico, esse tipo de embarcação pode atracar em qualquer ilha da região. De lá, o time utilizará equipamentos de última geração – drones, robôs submarinos e sensores – para analisar os gases produzidos pelos vulcões situados entre Papua-Nova Guiné e Vanuatu. Yves Moussallam, 31 anos, espera que seu projeto resulte também no desenvolvimento de sistemas de detecção que alertem antecipadamente a população local sobre erupções vulcânicas.

Ele e sua equipe pretendem compartilhar suas descobertas e difundir aos quatro cantos do planeta a ideia de que, em ciência, ainda é possível viver grandes aventuras e explorar mundos desconhecidos.