Laureada Associada dos Prêmios Rolex 2019

Emma Camp

Emma Camp, bióloga marinha e exploradora, vem realizando um minucioso trabalho de identificação dos corais mais resistentes do planeta, com o objetivo de usá-los na luta para reverter o processo de devastação provocado pelas mudanças climáticas e pela atividade humana.

Durante a exploração de vários habitats de corais espalhados pelo globo, a pesquisadora britânica percebeu a existência de corais que conseguiam sobreviver apesar das condições adversas e hostis do meio aquático em que viviam: águas quentes, ácidas e com baixo teor de oxigênio, situadas nas proximidades de mangues. Em outras palavras, esses corais pareciam ser capazes de resistir a condições muito semelhantes às que o ser humano vem infligindo aos recifes de coral em diversas regiões do mundo.

Segundo Emma Camp, é possível que esses polos de resiliência de corais ofereçam a chave para compreendermos de que forma certos corais conseguem sobreviver a despeito das mudanças climáticas e, em última instância, para descobrirmos a melhor maneira de recolonizar recifes destruídos pelo aquecimento, pela acidez das águas e pela ação nefasta do homem sobre o ambiente. "Precisamos ver as coisas de um ponto de vista totalmente novo, observando as leis da natureza e entendendo como o mundo natural tem conseguido sobreviver há tanto tempo. Precisamos usar esse conhecimento e associá-lo à inovação e à tecnologia para tentar preservar o que temos", diz ela. 

 

Milhões de pessoas, muitas das quais fazem parte das camadas mais pobres da população do planeta, dependem dos recifes de coral para a sobrevivência futura.

Emma Camp

Emma Camp, que tem 32 anos, planeja explorar novos polos de resiliência na parte norte da Grande Barreira de Coral – mais exatamente Low Isles e Howick Island –, com o objetivo de estudar os corais da região, identificar os principais elementos que caracterizam essa resiliência e, pela primeira vez, tentar transplantá-los para áreas em que vem ocorrendo a morte em massa de corais.

Além disso, ela deseja mobilizar cidadãos cientistas para monitorar a maneira como os corais evoluem e recolonizam as áreas devastadas. Com o tempo, ela espera oferecer capacitação sobre técnicas inovadoras de restauração de corais a instituições e comunidades locais, a fim de reverter os danos gerados pela negligência do ser humano.